terça-feira, 27 de abril de 2010

A REENCARNAÇÃO NA VISÃO ESPÍRITA

A REENCARNAÇÃO NA VISÃO ESPÍRITA


A crença na reencarnação é tão antiga quanto a Terra. As antigas civilizações (egípcios, gregos, hindus e outros) já discutiam e apresentavam tese sobre o regresso do espírito as lutas na matéria, usando um novo corpo. Alguns povos acreditavam que, por efeito de determinada punição, o regresso a mundo corpóreo dar-se-ia até em um corpo animal primitivo.

O povo hebreu tinha conhecimento da volta do Espírito à matéria, mas restringia este retorno a um corpo humano. A reencarnação, segundo os judeus, fazia-se em situações especiais: ou para concluir uma atividade inacabada, ou punição, face a males praticados. Quando o Fariseu perguntou a Jesus: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna"?, não pedia ao Cristo uma fórmula especial, um atalho, que tira-se a obrigação de voltar à Terra, numa nova encarnação? O doutor da lei não referia-se a obtenção da imortalidade, pois entre Judeus havia um consenso sobre tal fato. Mais provável é que busca-se com Jesus um procedimento que lhe livrasse do retorno ao mundo físico, como acontece ainda hoje com pessoas que, ao se inteirarem da reencarnação – sem levarem em conta a necessidade evolutiva –, solicitam expedientes que lhes possibilitem não terem mais que voltar à Terra...

Há outra situação em que os Judeus julgavam ser possível a reencarnação: o cumprimento de missão. O exemplo mais claro é o da esperada volta do Profeta Elias para a preparação dos caminhos do Messias, conforme atesta o próprio Mestre: "E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir"2, referindo-se a João Batista.

Coube ao Espiritismo trazer o conhecimento da reencarnação ao mundo ocidental, e o fez dando uma visão muito mais ampla e profunda, demonstrando que todos os Espíritos reencarnam, não apenas para a solução de equívocos de uma vida passada, ou para o cumprimento de determinada missão, mas pela necessidade inerente a toda a criação: o imperativo do progresso, da evolução.

Em verdade, ainda que não houvesse nenhuma afirmação a respeito da pluralidade das existências, ela seria depreendida como necessidade absoluta, face à amplitude do programa de aperfeiçoamento da alma apresentado por Jesus, através do Evangelho. De quanto milênios vamos necessitar para pormos em prática, integralmente, um ensinamento como esse: "Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos perseguem e caluniam"3? De quantos milênios vamos necessitar, nós Espíritos ainda vacilantes entre o bem e o mal, que não sabemos amar plenamente nem os amigos? O Codificador demonstra sua visão lúcida a respeito do assunto, quando inquire os Espíritos: "Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?" 4

A reencarnação – opondo-se frontalmente à salvação gratuita pela fé – dignifica o Espírito imortal, que vai galgando os degraus do aperfeiçoamento ao longo dos milênios sucessivos, crescendo em sentimento e intelectualidade, num trabalhoso processo de exteriorização da herança divina, concedida igualmente a todos os Espíritos. No nascedouro, todos absolutamente iguais. As diferenças individuais, portanto, não decorrem de capricho divino, mas sim do empenho de cada Espírito no sentido de promover o seu próprio progresso. Nesse caminhar, vai recebendo, por justiça, os frutos de todo o bem semeado, e, em função dessa mesma justiça, é compelido a reparar os males praticados, mas não em igual medida, graças à misericórdia divina.

O Espiritismo, ao revelar ao mundo ocidental a reencarnação, prova que a verdade religiosa não é incompatível com a verdade científica, explicando que a evolução do Espírito caminha pari passu com a evolução física demonstrada por Darwin, ao tempo em que resgata diante da consciência humana um dos atributos básicos de um Ser Perfeito: a Justiça. Tudo provém de uma mesma fonte, todos partimos de um mesmo ponto, dotados da mesma potencialidade evolutiva, conforme ensinaram os Espíritos: "É assim que tudo serve, tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo ao arcanjo, que também começou por ser átomo."5 Por conhecer essa luz divina imanente em toda a criação, é que Jesus lançou o desafio evolutivo: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens (...)".6

A evolução do Espírito fica muito evidente nas palavras de Jesus, quando se declara, ele também, um Espírito em evolução: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas (...)."7 É verdade que no dia em que chegarmos a fazer o que o Mestre fazia à época em que pronunciou essas palavras – daqui a alguns milhões de anos –, pensando que nos igualamos a ele, ele estará ainda à nossa frente, pois ele disse que poderíamos fazer obras maiores do que as que ele fazia, mas não disse que nós o ultrapassaríamos. Ultrapassaremos o ponto evolutivo em que ele se encontrava naquele dia, mas ele estará ainda à nossa frente, de vez que a evolução é infinita. E nós nem sabemos o que é infinito, a não ser através de uma definição terrivelmente circular: "aquilo que não tem fim"!

Kardec, em brilhante ensaio8, defende, com argumentação irretorquível, o imperativo da reencarnação sob a ótica da justiça e da misericórdia de Deus. É um trabalho monumental, até hoje não contestado por filósofo ou teólogo algum. Muitos livros foram escritos tendo como tema a reencarnação, mas não se conhece nenhum trabalho sério que rebata os argumentos ali apresentados.

Aos argumentos alinhados pelo Codificador, pode-se ainda acrescentar uma série de outros, graças aos esclarecimentos trazidos pelo Espiritismo:

Se o Espírito fosse criado juntamente com o corpo, como ficaria a justiça divina ante a flagrante diferença que existe entre as oportunidades deferidas ao homem e à mulher, na família, na sociedade e até mesmo nas religiões? Seria o caso de a mulher perguntar – e muitas perguntam – por que Deus as criou mulheres, sem as consultar, para sofrerem, em muitos casos, cerceamento de liberdade por parte dos pais, e depois as exigências e, não raro, a brutalidade dos maridos, enquanto lhes pesam nos ombros as sérias responsabilidades no encaminhamento e na manutenção da saúde dos filhos. O Espiritismo, dentro de uma visão evolucionista, mostra que o Espírito não tem sexo, podendo encarnar-se como homem ou como mulher, segundo o seu livre-arbítrio.

De acordo com a doutrina da unicidade das existências, a criação de novas almas não seria decorrente da vontade do Criador, mas estaria sujeita ao arbítrio dos casais, pois que poderiam usar um contraceptivo, impedindo Deus de usar o Seu poder de criar uma nova alma. O Espiritismo nos ensina que, ao usar qualquer recurso anticoncepcional, um casal apenas impede que um Espírito, já criado por Deus, que já encarnou-se outras vezes, volte à Terra para uma nova etapa de aprendizagem.

No caso de um estupro, por que se valeria Deus de um ato de violência, de ultraje, de desrespeito, para criar um Espírito? Onde estaria a justiça divina, se outros são criados, ao contrário, em momentos de amor sublime, como filhos altamente desejados? Por que teria esse Espírito, fruto de uma violência, de ficar estigmatizado por toda a Eternidade? Através dos esclarecimentos da Doutrina Espírita, sabe-se que o acontecimento brutal que se deu tem causas anteriores, e que o Espírito que se reencarna, aceitando ou sendo compelido a aceitar uma situação dessa natureza, tem ligações de natureza vária, estabelecidas no passado, principalmente com aquela que lhe será mãe.

Se não houvesse experiências anteriores, como explicar a rebeldia, a brutalidade, o mau caráter de um filho que tem toda uma ancestralidade constituída de pessoas dignas? Alguém poderá objetar, dizendo que é herança genética de um parente longínquo. Mas que culpa têm os pais? Por que Deus permitiria que esses gens danosos entrassem na formação daquela alma? A prosperar essa idéia, chegar-se-ia ao absurdo de, no esforço de impedir Deus de criar Espíritos de mau caráter, dever-se-ia esterilizar todos os que não fossem portadores de virtudes. Seria assim fácil "aperfeiçoar" a raça humana, como pretenderam, no campo físico, os cultores da louca teoria da raça pura.

O Espiritismo esclarece que ninguém herda inteligência, virtudes ou defeitos morais, por serem atributos do Espírito, que os traz como bagagem própria, intransferível quando reencarna. Se um casal tem um filho que lhes nega as linhas morais da família, trata-se de um Espírito que foi por eles adotado, em função do desejo de auxiliá-lo, ou o receberam como conseqüência de um passado comprometido com ele, "porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo."9 Dentro dessa linha de raciocínio, chega-se à conclusão que todos os filhos são adotivos, enquanto Espíritos criados por Deus. O casal apenas "fornece o invólucro corporal."9 Diga-se, de passagem, que, para um ajustamento de linguagem, dever-se-ia dizer: filhos consangüíneos e não-consangüíneos, porque todos são adotivos.

A doutrina reencarnacionista é a única que não é racista, pois demonstra que Deus não seria justo se criasse um Espírito imortal dentro de uma raça. O Espírito é criado por Deus e evolui, passando pela humanização, no processo de angelizar-se. Ao humanizar-se, encarna-se inúmeras vezes, nas mais variadas raças, mas seu início, sua criação não está vinculada a grupo étnico nenhum. A bem dizer, todos os Espíritos pertencemos a uma única raça, pertencemos à raça divina, porque somos filhos de Deus.

Bibliografia

Novo Testamento:

1 - Lc, 10: 25

2 - Mt, 11: 14

3 - Mt, 5: 44

6 - Mt, 5: 16

7 - Jo, 14:12

O Livro dos Espíritos

4 - item 166

5 - item 540

8 - item 222

9 - O Evangelho segundo o Espiritismo: Cap. 14, item 8

Notícias do Grupo Espírito de Arte

Duas experiências com Arte Espírita na Educação de Almas...


Este foi um fim de semana muito especial para o Espírito de Arte! Pela oportunidade de aprender e servir, colaborando para o crescimento de outros Espíritos em corpo de jovem, tanto no Ceará quanto em Minas Gerais. Com muita Arte e aplicação dinâmica da Pedagogia genuína que se fundamenta nos princípios da Doutrina Espírita.
No sábado (24), a ala cearense do grupo ficou responsável por conduzir as atividades voltadas para os jovens que participaram do Seminário da Associação Espírita Vida da Penha, em Fortaleza. Depois que os integrantes da mocidade apresentaram o blog que mantêm, o Espírito de Arte deu início ao que costumamos chamar de interação artística. Um momento de troca de experiências entre Espíritos mediado pela Arte em suas diversas expressões.
Num grande círculo, apresentamos o grupo para, a seguir, promover uma rodada de apresentações dos participantes. Foi interessante perceber que a grande maioria dos jovens já estava ali há bastante tempo - em média 4 anos - o que indica tratar-se de um grupo fortalecido e, coisa infelizmente escassa hoje, atrativo para os adolescentes (...)
No domingo (25) pela manhã, foi a vez da ala mineira do Espírito de Arte entrar em campo, na Fraternidade Espiritual Cristã Obreiros da Vida Eterna, em Belo Horizonte. Fomos convidados para desenvolver um trabalho de vivência e troca de experiências com os integrantes do Grupo de Artes Desperta, formado basicamente por jovens da mocidade da casa...


http://espiritodearte.blogspot.com/2010/04/mais_25.html

Sigamos em Deus!

ESPÍRITO de ARTE

domingo, 11 de abril de 2010

Centro Espírita A Samaritana comemora 63 anos

Dia 31 de março último, realizou-se no CEAS o encerramento da SEMANA A SAMARITANA, alusiva a comemoração dos 63 anos de fundação desta Casa Espírita. Nos festejos, que se iniciaram sexta, dia 26 de março, muitos foram os convidados que abrilhantaram a festa. Luciano Klein Filho, presidente da FEEC nos alimentou a alma com belissima palestra sobre o Capítulo 4, do Evangelho de João, que versa a história da mulher Samaritana e o Mestre Jesus. Já no sábado, dia 27, o CEAS prestou linda homenagem aos trabalhadores e colaboradores deste Posto de Auxílio. No domingo, o Grupo AME cantou lindas canções nos fazendo emocionar diante de tão bela apresentação artística. E finalmente, na quarta (31), a pedagoga Liduina Vidal encerrou as comemorações com a palestra evangélica o Cristo Consolador.
Quem desejar ver os vídeos desta memoravel festa, basta entrar no web site do youtube e busca o vídeos da festa - basta colocar na pesquisa: CEAS 63 anos.
Grande abraço fraternal a todos. E votos de muito amor, muita paz e muita luz.

Cláudio Fernandes

Feijoada na Samaritana